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Quem inventou o iPhone?

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7–11 minutos
Steve Jobs apresenta o primeiro iPhone, segurando o dispositivo com uma mão, enquanto exibe sua tela inicial com ícones de aplicativos. Ele veste uma camisa preta de gola alta, compondo um visual icônico durante o lançamento do produto.

Sabe aquele 2007 histórico? O Steve Jobs sobe no palco, faz um suspense digno de Oscar, tira um iPhone do bolso e o mundo entra em transe coletivo – parecia que ele tinha baixado um santo tecnológico ali mesmo em Cupertino. O marketing da Apple é tão brabo que a gente quase acredita que ele teve uma epifania mística sozinho numa garagem e, puf, a humanidade deu um salto.

Uma gravura vintage detalhada em preto e branco do primeiro logotipo da Apple Computer Co. de 1976. A imagem central mostra Sir Isaac Newton sentado sob uma macieira, lendo um livro, com uma maçã prestes a cair sobre sua cabeça. A cena está dentro de uma moldura de janela ornamentada com a citação de William Wordsworth ao redor: 'NEWTON---'A MIND FOREVER VOYAGING THROUGH STRANGE SEAS OF THOUGHT---ALONE.'. Faixas ondulantes acima e abaixo contêm o nome da empresa: 'APPLE' e 'COMPUTER CO.', respectivamente.
Primeiro logotipo da Apple, de 1976.

Eu já estava querendo remoer esse assunto faz tempo, mas a chama acendeu de vez quando vi no canal Spectrum: “1 DESENVOLVIMENTISTA VS 20 LIBERAIS”. O Dr. Elias Jabbour soltou a braba: “Steve Jobs não existiria sem Estado” . No dia seguinte, o Filipe Boni (que faz um trabalho fino de arquitetura e urbanismo na UGREEN) reforçou o coro com o vídeo: Steve Jobs não inventou o iPhone, foi o Estado” .

Mas e aí, será que é heresia falar isso? Senta que lá vem a história, porque esse mito do “gênio solitário” é o maior truque de ilusionismo da nossa era. Como capivara, eu sei que nada se faz sozinho, e o iPhone é a prova viva de que o esforço coletivo é que carrega o piano.


Milagre privado

Essa construção apaga o investimento público massivo que rolou décadas antes do Jobs pensar em tela colorida. Se a gente abrir o capô desse “Frankenstein” de luxo, a história não é sobre o Vale do Silício, é sobre o Departamento de Defesa dos EUA.

Inovação radical não nasce do vácuo numa garagem mofada, precisa de uma infraestrutura que aguente o tranco de dar errado por anos até funcionar — e quem banca esse prejuízo é o Estado. Quase tudo que faz seu celular ser smart (Espertofone™) veio de dinheiro público pesado em universidades e laboratórios militares. A Apple foi uma integradora de sistemas de elite: eles pegaram as tecnologias que já estavam maduras e deram aquele banho de loja no design e na experiência do usuário. Até o mito da garagem o próprio Steve Wozniak já desmentiu: ele mandou o papo reto dizendo que a garagem era só um ponto de encontro onde eles se sentiam confortáveis, não o laboratório de criação que a lenda prega.

Vamos dar nomes aos bois (ou às capivaras):


Eric Arthur Johnson demonstrando seu protótipo no Royal Radar Establishment em Malvern, na Inglaterra, em 1965.

John Elias e Wayne Westerman exibindo produto da FingerWorks, comprada pela Apple em 2005.



Mas ó, nem tudo são luzes RGB, porque essa “alquimia” tem um lado B bem sombrio. Pra esse brinquedo existir, ele precisa de 70 elementos da tabela periódica, incluindo as famosas terras raras. A extração disso é um desastre ambiental e social: a China domina a produção, gerando toneladas de lixo radioativo pra gente ver meme em cores vibrantes.

Já as baterias de lítio vêm de tecnologia criada em laboratórios
financiados pelo governo dos EUA
, e que hoje dependem de cobalto extraído em condições de semiescravidão no Congo. E a montagem, como a gente sabe, rola naquelas megafábricas onde o ritmo é de quartel e os direitos trabalhistas ficam na porta.


Resumindo:

TecnologiaFinanciadorOnde nasceu
Internet (TCP/IP)DARPA (Departamento de Defesa dos EUA)ARPANET e CERN (onde a Web surgiu)
GPSMarinha e Força Aérea dos EUAPra guiar míssil, não pra você pedir iFood
Tela TouchGoverno Britânico e CERNCriada pra controle de tráfego aéreo e acelerador de partículas
SiriDARPAUm projeto de IA militar chamado CALO
Bateria de LítioDepartamento de Energia dos EUA (DoE)Pesquisa em química pra fugir da crise do petróleo
Microchips (RISC)DARPA e NSFUniversidades tipo Berkeley e Stanford

No fim das contas, o iPhone é a materialização do “Intelecto Geral”: é o conhecimento social acumulado que vira a maior força produtiva do mundo. Ele sintetiza o trampo de gerações de cientistas públicos.


Tá, mas quem tá pagando isso?

Arrecadação pública (impostos) por faixas de renda:


Arrecadação pública (impostos) sobre trabalhadores VS empresas e empresários (2025):


No grande servidor da economia global, quem paga a conta mostra que cada região está rodando um sistema operacional diferente, mas o ping alto sobra sempre para o mesmo lado. No final das contas, o Estado é aquele admin que decide quem vai ter a carteira nerfada.


Quem segura o Agro-Server?

1. O Massacre dos “Low-Levels”

Muita gente acha que o Estado vive de taxar “vilão de filme” com cartola e monóculo, mas a realidade mostra o contrário. No Brasil e na Ásia, a base da pirâmide (quem ganha até US$50k/ano ou R$ 20.833,33 por mês) não só paga uma porcentagem maior do que ganha, como entrega mais dinheiro para o governo do que o topo do ranking. O Estado brasileiro é uma guilda que sobrevive de microtransações obrigatórias de milhões de jogadores casuais, acumulando um loot gigante que supera a contribuição dos tubarões (os super-ricos).

2. Grinders vs. GMs (Trabalho vs. Capital)

Se você separar o servidor entre quem trabalha (CPF) e quem é dono (PJ e empreśarios), a disparidade parece glitch bizarro. No Ocidente (EUA e Europa), o trabalho financia até 85% do servidor. O capitalista e o grande empresário operam em God Mode fiscal. Eles até pagam imposto, mas geralmente sobre o CPF deles, e concentrado no consumo, pois não havia NENHUMA tributação sobre lucros até 2025). A empresa em si, o lucro acumulado e o dividendo têm um shield de proteção que o seu salário nunca vai ter. O Estado taxa o fazer (esforço) e ignora o ter (acúmulo).

3. O “Pay-to-Win” Invertido

A conclusão é que a economia global é um MMORPG quebrado. Em qualquer jogo justo, quem tem mais recursos paga mais pela manutenção da Land. No nosso mundo, quem está começando o jogo tem 30% de renda nerfada logo no spawn, enquanto quem já tem o inventário cheio de itens ganha um buff de isenção.


📝 Log de Saída (TL;DR)

  • Os Pobres e a Classe Média: São os patrocinadores masters. Em lugares como o Brasil, eles pagam mais em porcentagem e em valor bruto.
  • Os Trabalhadores: São o “Main Tank” global. Sem o imposto sobre o salário e o consumo de quem trabalha, o servidor do Estado daria instacrash.
  • Os Capitalistas: Estão jogando outro jogo. O capital é volátil, foge rápido se for taxado, então o Estado prefere não mexer com eles e focar no grind diário de quem não tem para onde fugir.

O servidor é público, mas a conta é privada – e é sua.

Capitão Nascimento (Wagner Moura) no filme Tropa de Elite (2007), na cena que ele profere a frase: "você que financia essa merda". Homem em uniforme tático preto e boina, visto de perfil em um ambiente escuro com iluminação quente e dramática, destaca-se pelo contraste forte entre luz e sombra no rosto. Ele aponta o dedo de forma direta e acusatória para alguém fora de quadro, com expressão dura, olhar fixo e postura tensa, transmitindo confronto e autoridade. A cena remete a um momento de interrogatório ou reprimenda, em que ele responsabiliza verbalmente um estudante por financiar o crime, carregando um tom intenso e intimidatório.
“Você quem financia essa merda”

Se o Estado é o investidor de risco mais audacioso da história, não está na hora de a gente discutir como esses lucros astronômicos voltam para financiar o bem comum em vez de ficarem escondidos em paraísos fiscais?

Aliás, se a tecnologia que você usa no bolso foi paga com dinheiro público, por que a gente ainda aceita que o acesso à inovação de ponta seja um privilégio de quem tem o bolso cheio?


Fontes:


Gráficos do perfil de tributação:

  1. Brasil (Arrecadação e Regressividade)
    Os dados de arrecadação total e a composição por tributos vêm do Ministério da Fazenda, enquanto a análise de quem paga a conta (por classe) é baseada em estudos do IPEA.
  2. Estados Unidos (Distribuição por Faixa de Renda)
    O governo dos EUA publica tabelas exatas separando quanto cada decil de renda contribui para o bolo total.
  3. Europa (UE-27 e Zona do Euro)
    O Eurostat consolida os dados de todos os Estados-membros, permitindo ver a carga tributária em relação ao PIB e por tipo de receita.
  4. Ásia (Relatórios Regionais)
    A fonte mais confiável para a Ásia é o relatório conjunto da OCDE com o Banco Asiático de Desenvolvimento, que padroniza os dados de 37 economias.

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