Logo colorido da Capivara REPUBLICA, com o texto 'Capivara' escrito em letras grandes, douradas e descontraídas, e 'REPUBLICA' em letras igualmente douradas, garantindo um visual divertido e amigável.

O Feriadão da Crise de Identidade

Publicado em

Tempo de leitura:

2–4 minutos
Ilustração dividida em duas partes. À esquerda, um personagem vestido como oficial militar (Tiradentes), com uma corrente e um cadeado, em frente a um tesouro, enquanto à direita, uma capivara curiosa está cercado por interrogações, observando um navio pirata e pessoas coletando tesouros na praia.

Se o Brasil fosse um grupo de WhatsApp, o dia 21 e o dia 22 de abril seriam aquele momento em que o administrador e o penetra começam uma briga generalizada. A gente não se ilude com o feriado: a gente sabe que, entre uma folga e outra, o que rola é um flashback de um relacionamento abusivo que dura 500 anos.


21 de Abril: O cara que tentou mudar a senha do Wi-Fi

Tiradentes, o nosso Alferes favorito (e o único que a gente conhece), foi basicamente o primeiro brasileiro a cansar de pagar um boleto que não era dele. Portugal era aquele “sócio” que levava 20% de tudo (o famoso Quinto, que hoje em dia a gente chama de imposto, mas na época era só extorsão mesmo) e não devolvia nem um asfalto decente em Vila Rica, atual Ouro Preto, e sede do governo da Capitania das Minas Geraes na época.

Tiradentes não queria ser mártir, ele só queria que a gente parasse de ser a fazendinha particular da Europa. Ele tentou romper o “pacto colonial” — que é um nome chique para: “eu produzo, você leva e eu ainda te agradeço”. O problema é que, como todo mundo que tenta peitar o sistema antes da hora, ele acabou virando peça de decoração na rodovia que ligava as Minas Geraes (com e mesmo) ao porto de Paraty, no Rio de Janeiro.


22 de Abril: O “Descobrimento” ou o GPS quebrado de Cabral

Aí, logo no dia seguinte, a gente finge que comemora o “Descobrimento”. Vamos ser sinceros? Se você chega na casa de alguém, a pessoa já está lá, jantando, e você diz: “Achei essa casa! Agora é minha e você vai trabalhar pra mim”, isso não é descoberta. É invasão domiciliar.

Imagem de um personagem de desenho animado, um pica-pau, sorridente e segurando um bastão com a palavra "Diálogo" escrita. Ao fundo, há a frase: "Vamos Resolver isso no diálogo".

O pessoal fala de “encontro de culturas” para não dizer que foi um “arrastão transatlântico“. O plano era simples: entrar, pegar o que brilha, levar a madeira e, se os donos da casa reclamassem, o “diálogo” era na ponta da espada. A lógica de tratar o Brasil como um almoxarifado começou ali e, convenhamos, a gente ainda não aprendeu a fechar a porta.


A Lógica que não sai do nosso extrato

O pior de tudo não é a história, é como a gente continua repetindo o erro. A lógica perversa que a gente não muda é essa mania de achar que o Brasil é só um lugar para tirar coisa e mandar para fora.

Naquela época: Mandava ouro, pau-brasil e cana de açúcar.

Hoje: Manda soja, ferro e petróleo bruto, e depois compra a gasolina, carros e a ração para gado de quem comprou da gente.

A gente continua sendo o país que vende o almoço para comprar a janta com juros. Tiradentes tentou avisar que o prejuízo era grande, mas a gente ainda olha para o “descobridor” como se ele tivesse feito um favor de trazer o espelhinho.

Resumo da ópera: O 21 de abril é o dia de quem tentou dar o grito de “chega!”. O 22 de abril é o dia de lembrar que, se a gente não cuidar, sempre vai ter um “turista” querendo levar até o nosso café da manhã embora.

Dica da Capivara: Aproveite o feriado, mas não esqueça que, no fundo, a gente ainda está tentando entender por que o boleto de Portugal ainda parece estar chegando no nosso e-mail todo mês.

Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *